Associação Minha Casa

Processo Terapêutico

O processo terapêutico implica, geralmente, a passagem por duas fases distintas:

  • O parar com os consumos de substâncias psicoactivas, suportando o conjunto de sintomas psíquicos e por vezes físicos provocados pelo síndroma de privação.
  • O reaprender a viver sem droga, reencontrando o interesse e o prazer de viver.

Destas fases, a segunda é de longe a mais demorada e a mais difícil, e é por isso que existem muitas recaídas.

Não reaprender a viver, tem como consequência o regresso ao comportamento toxicodependente.

No entanto, reaprender a viver exige para muitos, um apoio especial, que nem sempre é possível encontrar no local de vida habitual do toxicodependente, quer pelo isolamento a que conduziu a sua vida, quer pelas relações doentias que mantém, quer pelas solicitações demasiado próximas e frequentes que não permitem criar, nem uma distância em relação ao tóxico, nem outros pólos de atracção saudáveis.


Assim, pode ser necessário e benéfico complementar o tratamento iniciado em regime ambulatório com o internamento prolongado em Comunidade Terapêutica.

Neste tipo de internamento utilizam-se como meios terapêuticos, essencialmente, quatro instrumentos:

  • A vida comunitária como forma de encontrar o prazer de comunicar, de partilhar, de ajudar e de se sentir reconhecido;
  • A abordagem psicoterapêutica como forma de reencontro consigo próprio, da descoberta do seu mundo intrapsíquico e da sua vida de relação;
  • O lazer, como forma de permitir a diferenciação, a escolha, e também o gratuito e o divertimento;
  • O trabalho, como forma de criar ou recuperar a confiança nas próprias capacidades.

É fundamental reconhecer que, no processo terapêutico no domínio da toxicodependência:

  • Não há nenhum método de tratamento que por si só garanta a cura de todos os toxicodependentes: as drogas são diferentes e as pessoas também.
  • Curar não é apenas parar com os consumos. É preciso reaprender a viver, reformulando/readquirindo um projecto de vida.
  • O tratamento envolve a coordenação de uma equipa multidisciplinar, centrada no utente, mas que por vezes implica também acção sobre o ambiente envolvente – família, escola, amigos, trabalho, lazer.
  • Durante o tratamento existem sempre avanços e recuos.